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Apresentação

Em abril vamos para a rua e levamos a liberdade connosco. Neste mês mágico, desfiamos memórias e preservamos valores de um dia inicial que, como escreveu Sophia, se quis mais  inteiro e limpo.

Este ano, a programação do Abril em Lisboa traz um olhar mais atento para as histórias  que se conjugam no feminino. Começamos por erguer nas ruas da cidade uma exposição da fotojornalista Monique Jaques que nos desafia a refletir sobre as raparigas que vivem e crescem na faixa de Gaza, um lugar que parece tão longínquo, mas cujos sonhos e aspirações são surpreendentemente semelhantes aos de qualquer jovem da mesma idade.

Voltamos a abrir a sala do antigo edifício da Rank Filmes, que terá servido para o visionamento prévio de vários filmes durante o Estado Novo, desta vez para ser palco de uma peça montada a partir de testemunhos de mulheres sobre a ditadura e a revolução. Histórias que de cor-de-rosa nada têm, mas que raramente são referenciadas nas narrativas dominantes sobre esse período.

O Museu do Aljube Resistência e Liberdade, antiga prisão do regime, junta-se naturalmente a este programa com um conjunto de iniciativas, das quais destacamos uma dramatização feita a partir de entrevistas a mulheres que foram presas pela PIDE e que expõe o lado mais íntimo de vivências traumáticas experienciadas por essas mulheres.

O São Jorge recebe a segunda edição do Festival Política, que entre cinema, concertos, artes visuais, debates e workshops nos convida a repensar a sociedade e os moldes em que exercemos (ou não) os nossos direitos, designadamente a lei da cidadania. A não perder no dia 19 o concerto Voix Étoufées, onde serão interpretadas pela Orquestra Metropolitana de Lisboa obras de compositores cujas vozes foram silenciadas: Fernando Lopes Graça e o alemão Paul Hindemith.

Ao ar livre, e porque não concebemos a liberdade sem música, plantamos cinco pianos, durante cinco dias, em diferentes praças e jardins da cidade, onde cada um é livre de tocar o que bem entender. Com mais ou menos ritmo, não perca a ocasião para ensaiar uma melodia.

Para lá de tudo isto, nas páginas que se seguem encontra ainda outras sugestões para  viver abril em pleno, numa Lisboa onde hoje celebramos a liberdade, sem esquecer os lugares onde ela não existe e é apenas feita de sonho e versos de poemas.